Depois que comecei a escrever aqui, ouvi duas perguntas que me pegaram de um jeito inesperado: a primeira era se eu “produzo conteúdo sobre design” e, a segunda, indo na mesma linha, questionava se eu “era criador de conteúdo“.
A minha primeira reação para ambas foi de dúvida, pensando se eu podia considerar essa modesta publicação como uma produção de conteúdo. Essa incerteza vem muito conectada à não definição se caberia a mim essa alcunha de produtor de conteúdo, até porque não é minha principal atividade.
Obviamente dedico tempo para pesquisar, estudar, escrever e publicar os textos e todos os temas que apresentei (ao menos até agora) têm conexão com a disciplina de design em algum nível. Então, em certa medida, há uma produção, sim.
Por outro lado, não tenho uma estratégia para crescimento dessa newsletter. Não fiz uma definição de público, não estudei o mercado, não criei um calendário para novas publicações e os temas que trato não são necessariamente as últimas notícias que saíram no mundo ou os assuntos mais comentados. Podemos dizer que eu basicamente zerei nas recomendações de marketing e negócios, apenas decidi começar e ver no que vai dar.
Com essa “pulga atrás da orelha”, fui buscar mais informação. A professora Kate Eichhorn, autora do livro Content (2022), define “conteúdo” como:
Qualquer coisa que circule online, podendo ser um texto, uma imagem, um vídeo, um áudio ou uma interação. Embora alguns conteúdos contenham uma mensagem, compartilham informações ou contém histórias, ele não necessariamente precisa comunicar algo. Geralmente é produzido para circular e não para comunicar.
Outra definição que ela apresenta no livro é sobre “criação de conteúdo“:
É a arte de produzir conteúdo digital em qualquer formato (texto, imagem, vídeo, etc…) para qualquer plataforma online.
Seguindo as definições de Kate Eichhorn, basicamente quem já fez alguma publicação em uma rede social, já produziu “conteúdo” de alguma forma e, se ainda continua a fazer, também é “criador de conteúdo”.
O conceito é simples assim, tanto é que o Sebrae criou o “Guia Completo de Como Ser um Criador de Conteúdos“, que possui apenas 33 páginas e apresenta alguns passos e práticas para a atividade.
Mas aí vem outra questão: se tudo na internet pode ser “conteúdo”, esse termo não serve pra nada, né?
O ultraprocessamento da informação
Se “conteúdo” pode ser qualquer coisa que apenas circula por aí, sem necessariamente ter informação, isso torna o termo vazio, tanto em significado quanto em substância (que podemos definir como qualidade também).
E, sendo algo vazio, seria natural que com a popularização da internet e a facilitação das ferramentas, mais “conteúdos” fossem produzidos. O que aumenta a chance e a frequência de nós consumirmos “conteúdos” irrelevantes e, como isso faz parte dos sites e redes sociais que visitamos todos os dias, acabamos nos acostumando a isso. É aí temos um baita problema.
Pense em quantas vezes não vamos buscar uma informação e acabamos caindo em um “conteúdo” que não entrega nada, que tem a função apenas de trazer mais um clique ou mais uma visualização para quem produziu?
Ou, às vezes, o “conteúdo” até tenta informar, mas não sai do básico, é raso, não avança além do que já sabemos ou do que já foi amplamente divulgado em outros veículos.
Isso ocorre porque quem o produz sabe que existem mil e uma coisas competindo com ele ao mesmo tempo pela atenção do público e, se ele gastar mais tempo para aprofundar o assunto, as pessoas não vão ler, escutar ou assistir até o final.
Essa é a dinâmica que foi construída na internet e consolidada com as redes sociais. É o jogo posto e, quem tenta fazer diferente, geralmente é punido tendo seu alcance reduzido na plataforma por um algoritmo que ninguém sabe direito como funciona.
O canal de YouTube Ora Thiago publicou um vídeo-ensaio excelente chamado A Armadilha do “Conteúdo”, onde também questiona para que serve o termo e, principalmente, como nós estamos consumindo e processando esse “conteúdo”.
No vídeo Thiago utiliza o termo “informação ultraprocessada“, fazendo uma associação do consumo de “conteúdo” com o consumo de alimentos ultraprocessados, argumentando que há “conteúdos” que saciam a fome momentaneamente, mas que estão longe de serem nutritivos, ou seja, adequados para uma dieta saudável. Porém, às vezes esse “fast food” é a única coisa que temos disponível para o momento. Thiago comenta:
Parece que a gente está se informando, parece que a gente está criticando, parece que a gente está fazendo reflexões importantes, mas a gente está só enfiando qualquer coisa goela abaixo antes de pegar o ônibus.
A dinâmica das redes sociais reforçou a produção desse tipo de “conteúdo” que é feito somente para circular, para se tornar viral, para gerar o maior número de cliques ou de visualizações possíveis. E em alguns cenários ainda são pensados estrategicamente para gerar ódio, enganar ou espalhar mentiras, com praticamente zero de responsabilidade e consequências para quem publicou.
Assim como nos acostumamos aos alimentos ultraprocessados, também nos acostumamos nesse formato de “conteúdo”, graças a essa dinâmica de mundo em que somos, de uma forma ou de outra, “cobrados por estar por dentro dos assuntos”. Vemos uma manchete da notícia em uma rede social ou 10 segundos de um vídeo em outra e já somos condicionados a criar uma opinião, a comentar e a nos posicionar. E tem que ser rápido, porque o assunto de amanhã já vai ser outro.
Thiago discorre em seu vídeo:
A gente assiste os filmes, as séries, lê os livros, e imediatamente compra um bloco compactado de interpretação. E a partir dele, a gente atribui um valor moral positivo ou negativo à aquela obra. Em vez de mergulhar numa experiência sensorial e multifacetada de um filme, o filme se torna apenas um veículo para uma interpretação semi-pronta…
Logo após nos dedicarmos a uma obra de arte precisamos contar para as pessoas, se gostamos ou não, se vale a pena ou não “perder tempo” com ela, não desenvolvemos mais nossos argumentos e nossa reflexão, não temos muito tempo para elaborar o raciocínio, já que a nossa lista de “conteúdos” cresce exponencialmente mais rápido do que damos conta e, se a gente bobear, conseguimos ocupar todo nosso tempo livre com esses “conteúdos”, um em seguida do outro.
Isso não acontece só com “conteúdo” na internet. Esse processo acelerado de “uma coisa atrás da outra” vem alienando a nossa vida há algum tempo e é um dos motivos pelo qual queremos “otimizar nosso tempo”, fazer coisas mais rápido ou tentamos fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo.
Estamos acelerados e alienados
Da mesma forma como corremos para estar em dia com todos os “conteúdos” que desejamos — não sei você, mas eu tento acompanhar e falho miseravelmente — nas outras áreas de nossa vida a situação não é tão diferente. Ninguém hoje vai virar para ti e dizer que está com tempo sobrando, muito pelo contrário, todos vão dizer como a vida está “corrida”.
É fácil notar essa “corrida contra o tempo” olhando a evolução da tecnologia. Podemos usar os celulares como exemplo: se você comprou um modelo no ano passado, esse ano já estará desatualizado. Se deixar para comprar esse ano, já tem certeza que ano que vem haverá um novo modelo.
O professor de sociologia Hartmut Rosa, em seu livro Alienação e Aceleração (2022), explica que esse processo, ao qual ele denomina de “Aceleração Social” afeta a sociedade e tem reflexos em 3 grandes temas: Ritmo da Vida, Mudanças Sociais e Tecnologia.
Aceleração do ritmo da vida
A aceleração do ritmo da vida é exatamente esse sentimento de não conseguir ficar “em dia” com todos os assuntos, como falamos anteriormente.
De acordo com o professor Hartmut Rosa:
Ela pode ser definida como um aumento no número dos episódios de ação ou experiência por unidade de tempo, ou seja, é a consequência do desejo ou do sentimento da necessidade de fazer mais coisas em menos tempo.
O professor explica que para medir o ritmo da vida precisamos combinar uma perspectiva “subjetiva” com a “objetiva“.
No olhar “subjetivo” há os efeitos da experiência de tempo do indivíduo, que pode ser caracterizada como a percepção do tempo escasso, sentir-se apressado, estressado e sob pressão do relógio, sensação de que tudo está mais rápido que antes e uma preocupação em manter o ritmo social.
O vídeo no canal Ora Thiago ilustra esse ponto com o seguinte comentário:
…maratonar uma série no final de semana de estreia é quase um fardo que a gente precisa tirar das costas … é uma abordagem completamente utilitarista, anti-crítica, anti-criativa e anti-intelectual. É informação ultraprocessada.
Para tentar acompanhar o ritmo social nós “engolimos” a série (ou qualquer outra obra), sem dar tempo para uma reflexão, pois estamos sempre pressionados pelo tempo e sempre apressados para dar conta das próximas atividades.
Já no prisma “objetivo” é possível mensurar de duas formas:
Se estamos fazendo mais coisas em menos tempo, por exemplo: ao comprimir o tempo de nossas atividades, dormindo menos, comendo mais rápido ou ficando menos tempo com familiares;
Se estamos fazendo mais coisas no mesmo período de tempo. Ou seja, acelerando nossas atividades por meio da redução das pausas e intervalos de descanso ou fazendo mais coisas simultaneamente — na ilusão de ser multitarefa;
Nas duas situações nós conseguimos um espaço de tempo para “encaixar” uma outra atividade e seguir na corrida para tentar acompanhar o ritmo da vida.
Aceleração das mudanças sociais
A segunda forma de aceleração que o professor explica é a da própria sociedade e a velocidade com que as mudanças estão acontecendo. Ele comenta:
Considera-se que atitudes e valores, tanto quanto a moda, os estilos de vida, as relações e obrigações sociais, também grupos, classes meios e linguagem sociais, além das atividades e hábitos estão mudando cada vez mais rápido.
Um exemplo prático sugerido no livro é observar como antes tínhamos vizinhos que moravam por muito tempo próximos de nós. Agora as pessoas se mudam com uma frequência muito maior, e acabamos por nem formar mais vínculos com as pessoas em nosso entorno.
Outro aspecto que o autor comenta é sobre os nossos empregos:
… na modernidade tardia, os empregos não duram mais uma vida profissional inteira, eles mudam numa frequência maior do que as gerações.
Ou seja, é pouquíssimo provável que uma pessoa siga na mesma empresa e na mesma carreira como as gerações anteriores faziam.
Há alguns anos o mercado corporativo falava sobre o conceito de Educação Continuada (ou Life Long Learning) para representar o ciclo contínuo de aprendizado de novas habilidades e comportamentos necessários para acompanhar o ritmo da tecnologia. O popular “aprender a aprender”.
Agora há um novo termo, chamado Skill Flux, que representa a obsolescência ou degradação de nossas habilidades e conhecimentos no mercado de trabalho, como aponta a postagem da página O Futuro das Coisas. Ou seja, ao mesmo tempo que é necessário aprender e reaprender para continuarmos nesse jogo é preciso ter em mente que, talvez, o aprendizado que estamos fazendo nesse momento já esteja ultrapassado, como comenta Michel Alcoforado:
O que era diferencial ontem, hoje é obrigatório, e amanhã já não serve mais pra nada. […] O diploma já não é mais uma chancela de competência, mas um print temporário de que você estava acompanhando, por enquanto.
O professor Hartmut Rosa compartilha em seu ensaio a mesma perspectiva:
… ter sucesso nessa luta não é mais a conquista de uma vida, mas sim algo cada vez mais disputado a cada dia. Os triunfos e êxitos de ontem não contam muito amanhã. O reconhecimento não acumula mais – ele está sempre sob o risco de ser completamente desvalorizado pelo constante fluxo de eventos e pelas flutuações da paisagem social.
Aceleração tecnológica
Por fim, Hartmut Rosa explica que a tecnologia é a primeira área a ser impactada pela aceleração, sendo também a mais evidente e mensurável dentre as 3 citadas.
Os efeitos da aceleração tecnológica sobre a realidade social … transformaram o “regime espaço-tempo” da sociedade, ou seja, a percepção e organização do espaço e do tempo na vida social.
A aceleração tecnológica é um processo que ocorre dentro da sociedade e caracteriza-se pelo aumento intencional de velocidade dos processos, onde o tempo e espaço são comprimidos pela velocidade tecnológica.
Exemplos dessa aceleração tecnológica são os meios de transporte: se antes as pessoas viajavam dias a cavalo, agora em poucos minutos conseguem cobrir uma distância muito maior de avião em poucas horas. Outro exemplo são os meios de comunicação, onde antes era necessário escrever cartas, postar e esperar dias pela resposta, hoje temos diversos aplicativos que a comunicação acontece em tempo real, não só via texto, mas também por vídeo.
Em razão desses três fatores, Hartmut Rosa define a nossa sociedade como uma “sociedade da aceleração”:
… podemos definir a sociedade moderna como uma “sociedade da aceleração”, uma vez que ela é caracterizada por um aumento do ritmo de vida (ou por insuficiência de tempo) apesar das impressionantes taxas de velocidade de sua aceleração tecnológica.
Ao refletir sobre essas questões que o professor apresenta é inevitável não pensar sobre a inteligência artificial (IA), que atualmente vem pautando semanalmente a aceleração tecnológica no mundo.
Inteligência Artificial acelerando processos
Eu acompanho mais de perto o uso da inteligência artificial — por conta da minha atuação — nas atividades de programação e design. Entre as abordagens que vejo com mais frequência entre meus contatos nas redes estão situações como desenvolvimento de softwares, revisões de planejamentos, consolidação de materiais de pesquisas, criação de textos, imagens e vídeos, ideação de projetos, desenhos de interfaces, pós-produção de materiais e por ai vai.
Mas é óbvio que seu uso se estende também na produção de conteúdo, desde geração de ideias até produções 100% feitas com inteligência artificial. Thiago Ora cita em seu vídeo o exemplo de um programa, que já não existe mais, chamado True Crime Case Files, que contava histórias de crimes absurdas, onde todas as notícias eram inventadas pela inteligência artificial.
São muitas abordagens usando inteligência artificial, com objetivos totalmente distintos e em níveis bem diferentes. Enquanto algumas delas são experimentais, testando os limites e formas de incorporar a ferramenta no processo de trabalho, outras já estão mais ajustadas à realidade da pessoa, realmente fazendo parte do processo no dia a dia dela. E uma outra parte é só enganação mesmo…
O curioso é que, dos casos que vejo mais de perto no meu dia a dia, independente do cenário, sempre há alguém que faz a pergunta do milhão tempo:
Quanto tempo foi economizado ao utilizar a inteligência artificial no processo?
Essa pergunta é o que move nosso tempo atual, conforme Hartmut Rosa descreve:
A sociedade moderna não é regulada e coordenada por normas explícitas, mas pela silenciosa força normativa das regras temporais que surgem sob a forma de prazos, cronogramas e limites de tempo.
Não é novidade para ninguém que esse é o jogo posto na modernidade tardia e no processo capitalista, há uma competição pelo tempo, por fazer mais e por estar na frente. Porém, há uma outra questão que quase nunca aparece na discussão:
O que efetivamente estamos fazendo com esse ganho de tempo que a inteligência artificial proporciona?
Deixe-me trazer alguns exemplos a partir dos projetos que eu observei:
Ao otimizar a consolidação dos achados de pesquisa, estamos ganhando tempo para explorar novas possibilidades e caminhos para as dores observadas?
Ao acelerar a prototipação do produto, usamos o tempo economizado para fazer uma avaliação além dos indicadores de negócio, pensando também nos impactos para a sociedade?
Ao analisar um plano de negócios com muito mais insumos e velocidade, estamos aproveitando esse tempo adicional para propor soluções com uma visão sistêmica, que também possam regenerar nosso meio ambiente?
Há uma pressão para um aumento da produtividade do lado das empresas, mas também é preciso provocar a utilidade da inteligência artificial além da aceleração da produção. Acredito que é possível ter um propósito mais interessante para todas as partes.
Se há uma forma de entregar uma atividade em menos tempo, devemos aproveitar o tempo que sobra para sermos mais estratégicos em nossas atividades, caso contrário seremos atropelados por cronogramas ainda mais absurdos.
A estratégia no uso da inteligência artificial
Se a inteligência artificial é uma ferramenta nova para incorporarmos em nosso trabalho, devemos tratá-la exatamente dessa forma. Ela gera sim uma aceleração na produção, mas não deve fazer escolhas em nosso lugar.
Da mesma forma como desenhamos os projetos com um propósito em mente e refletimos conscientemente sobre cada decisão que tomamos até concluir o processo, devemos ter essa reflexão com a IA, e não apenas pegar o resultado e usar porque economiza tempo. É preciso ter uma atuação mais estratégica.
Ricardo Cappra descreve em seu artigo IA Viciada, Decisão Comprometida o termo “autodescoberta analítica“, reforçando a importância de reconhecer quando nós não estamos no controle, quando é a máquina que está guiando o processo:
À medida que delegamos mais decisões à IA, um novo tipo de inteligência emerge: a cognição híbrida, fruto da colaboração contínua entre humanos e sistemas artificiais. Para tirar o melhor dessa simbiose, precisamos desenvolver o que chamo de autodescoberta analítica, ou seja, a habilidade de perceber quando é a IA quem está decidindo por nós, e quando somos nós que estamos no controle.
Essa autodescoberta é o antídoto contra a passividade. Ela transforma o indivíduo em um sujeito ativo, capaz de complementar, corrigir ou até ignorar uma sugestão algorítmica, justificando essa escolha com base em uma visão crítica e contextual.
Vi muitas vezes as pessoas jogarem um problema complexo na inteligência artificial e assumirem o primeiro resultado como a resposta definitiva ou o caminho a ser seguido. É necessário ter consciência ao fazer isso, refletir se realmente o que foi apresentado faz sentido ou se é uma resposta que chega a um local comum. Se for esse último cenário, estamos somente encurtando o tempo para entregar um trabalho medíocre com uma fração do prazo.
Precisamos estar no controle e trabalhar de forma mais estratégica. A Box1824 explica brevemente o pensamento estratégico em sua publicação no LinkedIn:
…o pensamento estratégico envolve a geração e aplicação de insights e oportunidades destinadas a criar valor e vantagem competitiva para uma empresa ou organização… é uma forma de abordar perspectivas fundamentais de um negócio e desafiar o pensamento convencional de curto e longo prazo.
O material da Box1824 apresenta ainda 4 características do pensamento estratégico que podem ser aplicadas em diversos setores e atuações, sendo:
Influenciar o que não podemos controlar
Se não temos controle de uma variável, ao menos podemos tentar influenciá-la para uma direção mais interessante.
Tomar decisões a partir de todo tipo de dados
Nem sempre temos uma visão quantitativa ou mensurável para definir o caminho que vamos trilhar. Precisamos usar as informações que temos disponíveis no momento para a decisão.
Ter novas ideias a partir do raciocínio abdutivo
Como é difícil ter premissas 100% definidas em todos os casos, precisamos de uma capacidade de eliminar as possibilidades menos prováveis e gerar ideias a partir dos eventos que podem ter maiores chances de ocorrer.
Pensar sistemicamente com múltiplas variáveis
As variáveis devem ser consideradas em conjunto, não de forma isolada, entendendo que as ações são uma parte de um todo maior.
Portanto, na próxima vez que você for utilizar a inteligência artificial em suas atividades, não foque somente no ganho de tempo que terá no processo, mas aproveite o tempo ganho para exercitar o pensamento estratégico e tenha consciência se é uma decisão que você está tomando e não apenas seguindo a sugestão apresentada pela máquina.
Ser ou não ser: não é essa a questão
Após tudo que vimos até aqui percebo que há outra questão além da que deu início a esse texto. Entendo que há algo muito mais importante do que ter essa definição de conteúdo e categorização sobre ser ou não ser criador de conteúdo. É sobre como nós nos posicionamos em relação ao conteúdo e ao trabalho numa sociedade acelerada e como nós nos relacionamos com as obras que acessamos e com as ferramentas que possuímos.
Assim como muitas vezes nos falta uma reflexão nos conteúdos que consumimos, o mesmo começa a acontecer sobre as respostas que a inteligência artificial nos entrega. E isso se agrava quando perdemos nosso poder de decisão sobre a IA e acabamos seguindo a sugestão dela, só para acelerar a nossa produtividade e fazer mais em menos tempo.
Quando não temos tempo para fazer essas reflexões, corremos o risco de perder essa habilidade, nos tornamos passivos diante das situações. Viramos pessoas não críticas, tanto em relação aos conteúdos quanto aos processos e produtos que criamos e utilizamos.
Nós podemos colocar uma certa resistência à alienação e a aceleração ao reservar tempo para pensar sobre as obras que consumimos, ao invés de já pular ao próximo item da lista. E no nosso trabalho ao analisar criticamente o que a inteligência artificial nos entrega como resposta, se apropriando do ganho de velocidade pela entrega da máquina para investir no exercício de nosso pensamento estratégico.
Criar essa publicação é uma forma que encontrei de exercitar algumas reflexões e pensamentos sobre coisas que tenho consumido, observado e trabalhado.
Tentar juntar ideias diferentes, criando uma linha de raciocínio com começo, meio e fim, me força a ativamente aprofundar em alguns assuntos e pesquisar temas novos, que eu não conheço.
E seguir na contramão do nosso ritmo de vida, escrevendo um texto que leva mais do que 3 minutos de leitura — sabendo que muitas pessoas vão desistir de ler por ser tão longo — é uma escolha consciente para não produzir de forma simplista e automática.
Espero que a leitura desse conteúdo te ajude em alguma reflexão, assim como a escrita dele me ajudou.
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